A carga tributária do Brasil é quase 3 vezes maior que a do Paraguai
Carga tributária fechou 2024 em 32,2% do PIB no Brasil; no Paraguai, 2025 fechou em 11,2%. Dado da Receita Federal e do Ministerio de Economía y Finanzas.

A carga tributária brasileira fechou 2024 em 32,2% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dado da Receita Federal publicado em dezembro de 2025. É o maior patamar em mais de 20 anos.
Do outro lado da fronteira, a pressão tributária paraguaia fechou 2025 em 11,2% do PIB, segundo o Informe de Situação Financeira da Administração Central (Situfin) do Ministerio de Economía y Finanzas.
A diferença, próxima de três vezes, ajuda a entender o avanço de empresas brasileiras no regime de maquila e no setor de agronegócio, atividades que operam com tributação significativamente menor no vizinho.
O que a Receita Federal mediu
A metodologia da Receita Federal passou a excluir, no cálculo de 2024, as contribuições de empresas ao FGTS e ao Sistema S, para se aproximar do padrão usado por organismos como FMI e OCDE. Pelo cálculo antigo, a carga brasileira teria sido de 34,12% do PIB.
Em série própria do Tesouro Nacional, com metodologia diferente da adotada pela Receita, a arrecadação estadual subiu de 7,58% para 8,03% do PIB, e o governo federal foi de 19,93% para 21,43%.
O que o Ministerio de Economía y Finanzas mediu
No Paraguai, a pressão tributária caiu levemente, de 11,3% em 2024 para 11,2% em 2025. Em informe ao Congresso, segundo o jornal Última Hora (3 de agosto de 2026), o presidente Santiago Peña afirmou que a pressão atingiu 11,5% sem criação de novos impostos. Até o fechamento desta matéria, o dado não constava do Situfin.
A meta do Executivo paraguaio, por meio da Direção Nacional de Ingresos Tributarios (DNIT), é atingir pressão tributária de 12% do PIB até 2029. O Fundo Monetário Internacional, na conclusão do Artigo IV de setembro de 2026, estimou brecha de cerca de 3 pontos do PIB e recomendou ampliar a base tributável e revisar benefícios.
Por que a diferença é tão grande
A diferença não está apenas nas alíquotas, mas na base tributável. O Paraguai mantém regimes especiais para a maquila (indústria com matéria‑prima importada e produção reexportada) e para o setor rural, com alíquotas efetivas baixas e sem contribuições sociais nos moldes brasileiros.
Fontes
- Receita Federal do Brasil, Carga Tributária 2024 (publicada em dez/2025).
- Tesouro Nacional, Prévia da Carga Tributária 2024 (publicada em mar/2025).
- Ministerio de Economía y Finanzas (Paraguay), Informe de las Finanzas Públicas 2024 e Situfin 2025.
- Última Hora, pronunciamento do presidente Santiago Peña ao Congresso (03/08/2026).
- Fundo Monetário Internacional, conclusão do Artigo IV sobre Paraguai (set/2026, via Última Hora).
- DNIT, hoja de ruta ao 2029 (ABC Color, 05/08/2026).